O Haiti, o Homem e a Natureza...

Por vezes, o Homem abusa da Natureza. As forças da Natureza são superiores à capacidade que o Homem tem para se defender delas e a sua expressão é de tal forma cruel que não permite, sequer, a mais pequena distracção quanto à nossa condição de seres vivos, tal é efémera a presunção que temos, enquanto tal.

Quando acontecem os horrores como o mais recente Haiti, sismo e miséria no século XXI, uma catástrofe que assume contornos de holocausto, temos a obrigação de pensar e repensar a orientação que temos vindo a dar ao Mundo.

Somos aliciados ou seduzidos a viver em gettos de diferentes inscrições sociais, políticas, étnicas ou religiosas e, de repente, somos obrigados a viver em campos de refugiados do tamanho de países, bem maiores que o nosso “cantinho” de paraíso, resguardado de tamanhas atrocidades, felizmente.

É urgente definir linhas de acção a nível mundial, senão planetária, de reforço à dimensão humana, ou seja, avaliar e produzir empenho suficiente para uma distribuição mais racional do e no espaço que ocupamos. Talvez existam partes físicas do globo que não devam ser ocupadas, que devam permanecer virgens e desabitadas.

É ancestral a ânsia de desbravar território e explorar áreas desconhecidas do planeta, os povos mais ou menos primitivos sabem da necessidade de conquista e o homem contemporâneo tem a supremacia perante a ordem das coisas. No entanto, é hora de reflectir, é impossível assistir às cenas de guerra, fome, miséria e degradação que ocorrem no mundo, sem nada fazer. Porquê?

O presidente do Senegal, se não me engano, sugeriu uma medida absolutamente drástica e polémica, em relação à nação haitiana, transferir o país para uma qualquer região de África, refazer tudo, noutra latitude e em segurança. É discutível, claro, mas pode até ser sensato. Está tudo destruído naquela região e o risco é eminente, a tragédia pode-se repetir, aquela zona do globo é calamitosa e está sujeita à meteorologia mais adversa. Então toca a transferir países?!? Antes que desapareçam…

O Haiti requer mobilização global de solidariedade mas, acima de tudo, seriedade nas relações que se estabelecem com o poder dos homens e a eficácia das suas atitudes na prática da conquista do Mundo.

Temos pouco tempo para descobrir a fórmula milagrosa para resolver os fenómenos da Natureza. Os mais fracos, mais pobres e frágeis são as vítimas principais desta engrenagem e o sucesso dos avanços tecnológicos e científicos têm que estar na linha da frente das carências humanas e no âmbito dos projectos humanitários, no curso da distribuição da riqueza e na divisão dos bens essenciais antes da emergência e da crise que assola as terras destruídas pelo “destino”. Também há responsabilidade global, não se trata e um jogo de azar como ter a infelicidade de nascer e viver num pedaço de terra chamado Haiti.

 

Por Célia Davidenviar

22/01/2010 - 13:32
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